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| Sítio do Sergio Leo |
| Sergio Leo |
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12/10/2004 18:24 portunhol falado Talher em espanhol é cubierto; mas existe taller (pronuncia-se talher) na língua hispânica, que é o mesmo que, em português, chamamos de oficina. Oficina, em espanhol, é o que denominamos escritório. E escritório, para os hispanohablantes, é a mesma coisa que mesa. Lodo é o que Cervantes chamaria de lama. E lama, como é? Lodo.
O portunhol do brasileiro é diferente do portunhol hispânico. O brasileiro inzoneiro erra pondo U onde não devia, como em cueca-cola; o argentino milongueiro tasca Inho onde não pode, e pede para que se espere "um ratinho".
Com todos esses tropeços, o portunhol ainda há de ser a língua falada por essas bandas, com as depurações cabíveis. Não conheço história de portunhol entre portugueses e espanhóis, talvez porque os europeus sejam mais sérios, e não se arrisquem a esculhambar a língua dos outros como fazemos deste lado do Atlântico. Ou talvez seja só ignorância minha mesmo. Sergio Leo | :(0)
12/10/2004 18:35 Sabino, mineiro sacaneado em Sampa Deve haver algum significado no tratamento da morte de Fernando Sabino pelos jornais paulistas, que dedicaram seus cadernos culturais ao super-homem Christopher Reeves e jogaram o escritor mineiro nos cadernos de cidades e cotidiano, entre crimes, buracos de rua e notícias sobre o clima. Será porque os editores "culturais" engatinhavam quando Sabino mostrava ao Brasil como escrever de forma simples, encantadora, deliciosamente profunda e despretensiosa sobre a existência humana? Será porque não o perdoam pelo deslize da Zélia? Será ignorância? Má fé? Sergio Leo | :(4)
11/10/2004 17:49 O factóide nuclear e a bomba no Haiti
As indefinições e incertezas em relação ao programa nuclear brasileiro e os planos do governo para a usina de Angra 3 são suficientes para justificar toda a atenção ao tema; mas é lamentável que o assunto, ao concentrar as atenções durante a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, tenha soterrado outro debate igualmente importante, e tratado com muito mais interesse pelo chefe das Forças Armadas americanas. Ao contrário do que chegou a ser noticiado, Powell não falou de programa nuclear em sua visita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e mencionou o assunto com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já no fim de seu encontro, para relatar que havia respondido a várias perguntas sobre o tema.
Outro problema explosivo interessou mais a Powell e a Amorim: a conturbada situação do Haiti, onde uma catástrofe natural se somou ao desastre político que soterrou as instituições no país. Marcado pelo tratamento enviesado e desinformado da imprensa internacional em relação ao que se passa na usina de enriquecimento de urânio em Resende, o noticiário nacional sobre a visita de Powell quase ignorou a discussão travada entre os governos americano e brasileiro sobre o Haiti, onde os acontecimentos podem ter conseqüências mais imediatas para a política externa e para o destino dos quase mil brasileiros que lideram, lá, as tropas da paz enviadas pela Organização das Nações Unidas.
No fim de semana, dois soldados, um brasileiro e um argentino, foram feridos sem gravidade em tiroteios na capital haitiana, primeiros incidentes do gênero nos quatro meses das tropas da ONU no país; e a organização Médicos Sem Fronteiras anunciou sua retirada após escapar de ataques de partidários do presidente deposto Jean Baptiste Aristide. São problemas para o governo brasileiro, que assumiu a corajosa tarefa de comandar um processo de reconstrução e paz na mais pobre nação do continente. Quem sabe, agora, se possa falar, com mais atenção, de um tema que o país perdeu a oportunidade de discutir durante a visita do secretário de Estado americano.
Amorim cobrou de Powell, e recebeu apoio do americano, ajuda para pressionar a secretaria-geral da ONU a acelerar o envio dos mais de 3 mil soldados que prometeram e ainda não mandaram, e a liberação dos US$ 1 milhão coletados para reconstruir o país, amarrados pelos cuidados burocráticos. Mas é um velho vício da imprensa mundial pautar-se e deixar-se levar freqüentemente pelo caudaloso fluxo de informações das agências de notícias. Uma discreta queixa brasileira de que ameaçam esbarrar na burocracia o dinheiro e as tropas prometidos ao comando brasileiro no Haiti não tem, para essas agências, o charme que podem ter comparações equivocadas entre o Irã e o Brasil, enfunadas por paranóicos especialistas dos centros de estudos americanos.
Indícios de que o governo brasileiro flerta com a energia nuclear como forma de ganhar respeito no mundo dos ricos existem. O ministro que defendeu abertamente o domínio da tecnologia nuclear, até da bomba, se preciso, já nem está no governo; mas o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, já foi flagrado fazendo piada com o tema. No meio militar, principalmente na Marinha, a defesa da tecnologia nuclear como passaporte ao primeiro mundo é freqüente, até como lobby pelo adiado projeto do submarino movido a essa tecnologia. Mas a defesa feita, no Itamaraty e no Palácio do Planalto, do domínio da tecnologia de enriquecimento de urânio costuma ser acompanhada de argumentos técnicos e de política industrial, do tipo exposto no Valor, na sexta-feira, 8, pelo repórter Ricardo Balthazar.
O fato é que Powell não só estava sem planos de cobrar posições em relação à energia nuclear como fez questão de asseverar, com profusão de argumentos, que é uma tolice comparar Irã e Brasil.
Powell foi instigado a falar de um tema que não pretendia abordar, e saiu frustrado porque nem lhe perguntaram sobre um assunto ensaiado, a decisão brasileira de exigir foto e impressão digital dos americanos - e só deles na entrada do país. Ele diria que o assunto já está sendo tratado, de forma eficiente e sem traumas para turistas de ambos os lados, por uma comissão técnica criada pelos dois governos. Um sinal do excelente estado das relações Brasil-EUA (que Powell não pretendia embaçar com cobranças extemporâneas sobre inexistentes pretensões nucleares do país).
Já o Haiti... Na viagem de volta do americano previa-se uma escala no Haiti, cancelada devido aos tumultos provocados pelas insurgências armadas de adeptos de Aristide e pelos saques da população faminta aos comboios com alimentos e remédios para as vítimas das enchentes e furacões da região. No país que o superprotegido comandante-em-chefe das Forças Armadas americanas achou melhor evitar, brasileiros arriscam a vida, a diplomacia e a reputação. O sucesso, sob comando brasileiro, de uma missão de paz no continente reforça a imagem de nação comprometida com a democracia na região e é tão importante quanto as quizílias nucleares para um país que sonha em ser ouvido e respeitado na comunidade internacional - como já vem sendo, aliás, em diversas instâncias da ONU, na Organização Mundial do Comércio, no Banco Mundial.
Não foi à toa que o governo saudou com entusiasmo as declarações de Powell, de que o Brasil é um candidato "sólido" a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. O sinal diplomático foi claro, e francamente favorável ao Brasil, ainda que o secretário de Estado tenha afirmado depois não se tratar de um apoio americano à pretensão brasileira, e de ter dito que há outros países igualmente "sólidos" na região, como o México. O Itamaraty quer uma participação política internacional cada vez maior, e sabe que sua voz e os interesses do país receberão mais atenção se o país ocupar permanentemente um assento no Conselho de Segurança da ONU. Pretensão que tenta fortalecer com missões como a do Haiti. Algo que, como poderia contar o soldado gaúcho Luciano de Lima Carvalho, é coisa séria, muito mais séria que paranóia de imprensa estrangeira.
Sergio Leo | :(5)
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